Novas obrigações das concessões da telefonia consolidam tendência do backhaul por satélite

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13 de septiembre de 2022 Sencinet na Imprensa

Link da matéria: https://teletime.com.br/10/06/2022/novas-obrigacoes-das-concessoes-da-telefonia-consolidam-tendencia-do-backhaul-por-satelite/

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Constelação de nanossatélites ELO. Foto: Divulgação/Eutelsat

Como levar conectividade de forma acelerada para centenas de cidades com  menos de mil habitantes onde ainda nem se quer existe eletricidade? Da mesma forma, qual seria o milagre capaz de permitir a cobertura de internet distribuída por quilómetros de estradas espalhadas por localidades onde a ramificação da fibra está longe de chegar? 

Estes são dilemas que estão diante de algumas das empresas ganhadoras dos direitos para explorar as concessões na telefonia no país principalmente voltadas à migração para o 5G. Desafios como estes foram impostos com a inclusão de metas de políticas públicas presentes, por exemplo, no Plano Geral de Metas para Universalização. 

A sobreposição de compromissos que as empresas terão que cumprir foi um dos temas a serem discutidos na reunião extraordinária do Conselho Diretor da Anatel no dia 24 de maio. Isso porque, segundo a Procuradoria Federal Especializada (PFE) da própria Anatel, seria necessário adicionar ainda novas exigências de investimento nesta operação. 

Sejam quais forem os resultados desta consulta pública, o cenário aponta para o backhaul com satélite como uma das poucas, senão a única, alternativas viáveis para disponibilizar o serviço exigido dentro dos prazos estipulados, utilizando um nível de investimento que não provoque grandes estragos nas previsões de faturamento das empresas que se propõem a vencer este desafio. 

Basta lembrar que algumas regiões têm metas audaciosas de extensão da rede de cobertura. São casos como a demarcação de prazos como o ano de 2025 para a conclusão total do cumprimento dos compromissos, mas com exigências de que estágios intermediários de até 30% já  estejam em funcionamento até o final de 2023. 

Quem teria condições, e estaria disposto, a fazer investimentos tão vultuosos em tão pouco tempo para levar a fibra ótica até estas localidades remotas em tão curto prazo?

Se não será por fibra ótica, como isso poderá acontecer ? 

A instalação de antenas na quantidade necessária, por exemplo, também exigiria grandes movimentações financeiras em tempos de inflação galopante, guerras com período de término e capacidade de impacto econômico imprevisíveis, eleições e uma pandemia que parece de vez em quando ainda olhar pelo retrovisor?

Não por acaso, a Resolução nº 741 que estabelece a normatização para a adaptação  ao novo modelo já prevê, entre outras coisas, a expansão das capacidades existentes de backhaul para determinados municípios e localidades. 

Favorecem ainda mais a escolha do backhaul via satélite a consolidação de novas tecnologias como a  "Spot beam", por  meio da qual a potência do sinal do  satélite é direcionada para pontos específicos do país, ao contrário do modelo tradicional, no qual toda a potência do sinal é distribuída por uma larga cobertura, como um país inteiro ou um continente inteiro. Essa inovação permite o reuso de frequências e o uso de feixes específicos que cobrem cada região,  entregando maior potência a menores custos. 

Empresas que já dispõem de soluções baseadas neste tipo de tecnologia podem auxiliar as teles no desenvolvimento de projetos que exigiriam volumes menores de recursos financeiros, logística, instalação de aparelhos e outras necessidades.

Assim, seria possível fechar a conta e alcançar o equilíbrio ganha-ganha idealizado pelas autoridades do setor, ou seja; As teles teriam fôlego para avançar nos  planejamentos estratégicos de negócios idealizados na compra das concessões e as comunidades residentes em locais remotos passariam a contar com a cobertura de telefonia e internet, possibilitando melhoria na qualidade de vida em todos os sentidos.

* Sobre o autor – Jayme Ribeiro é diretor executivo de vendas e marketing da Sencinet. As opiniões expressas nesse artigo não necessariamente refletem o ponto de vista de TELETIME.